A resiliência dos sistemas naturais tem recebido atenção acrescida nos últimos anos, dado o seu papel fundamental no alcance da sustentabilidade dos ecossistemas, especialmente face aos impactes das alterações climáticas. Contudo, a sua definição é ainda vaga e, na maioria das vezes que o termo é aplicado, a resiliência é concebida como uma perspetiva teórica, e não como um conceito claro. Para sistemas costeiros, a resiliência pode ser ainda mais difícil de definir, dado que é vista principalmente de uma perspectiva humana, com foco na manutenção da forma e dos serviços que os sistemas costeiros fornecem (i.e., proteção contra tempestades), em vez da sustentabilidade do próprio sistema costeiro. Este trabalho tenta esclarecer o conceito de resiliência aplicada aos sistemas costeiros, definir as suas dimensões principais e propor um método analítico que permite a avaliação da resiliência no tempo.